23/04/2017

Vida



 Bem, como bons livros surgem em ocasiões cada vez mais raras embarquei em uma nova releitura. A bola de vez é As Crônicas Marcianas, do complexo Ray Bradbury. O que tem de surpreendente logo no começo para nós, que vivemos cada vez mais em torno da ideia de contato eminente com extra terrestres é o fato de nunca pensarmos que os caras podem estar cagando e andando para a Terra, como a dona de casa que abre sua porta em Marte e dá de cara com astronautas terrestres. O hilário é que se desfaz deles como faríamos com testemunhas de jeová ou qualquer outro chato, deixando os humanos explodindo de raiva e esbravejando por alguma atenção de pé na soleira. O resto terão de ler.
      Por coincidência fui ontem assistir a um filme que relata outro contato indesejado com um marciano. O pessoal da ISS coleta material biológico do planeta vermelho e encontram um organismo microscópico. Passam então a estimular a atividade e o desenvolvimento do tal bichinho. As pessoas na Terra vibram com cada momento e acompanham a história acontecendo em órbita, com momentos lúdicos como quando o pequeno alienígena é batizado por alunos de uma escola. Aí o bicho se desenvolve rapidamente, surpreendendo aos tripulantes da Estação. Até que alguém comete um erro e começa a via crucis dos protagonistas. O resto é Alien...
      Foi legal ver um estória onde os personagens principais são heróis contemporâneos. Fora isso nota-se logo de cara que a ISS não está preparada para uma eventualidade desse porte mesmo com todas as linhas de defesa citadas no filme. E é claro que a atitude do visitante vai de encontro a tais protocolos e nos faz perguntar. Se a maioria das pessoas aqui na Terra não dão a mínima para ciência e extraterrestres porque diabos um indivíduo escolhido ou encontrado ao acaso, sendo de outro mundo, só por isso desejaria ou acharia legal o contato conosco? A bem da verdade, nós mesmos nos últimos anos buscamos diminuir o contato presencial cada vez mais, resolvendo tudo com mensagens eletrônicas ou email
      Assim acho lógico que quando finalmente acontecer O contato não será cara a cara e só uns poucos privilegiados, ou melhor preparados, terão algum contato físico com o pessoal lá de fora. Isso se for realmente necessário pois aparência é um dos fatores que costumam gerar suposições precoces, geralmente muito ruins na construção de qualquer relacionamento produtivo.

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