27/04/2021

Neo feudalismo ou De onde veio tanta gente escrota?

 


Porra, jamais pensei em participar de tamanha reunião de cretinos como a que acontece hoje nessas terras. A elite escrota-feudal comanda um show de horrores que adentra cada vez mais os recônditos de uma nova e cada vez mais terrível idade média. Qualquer espiada que se dê na televisão ou no telefone traz imediatos "enguios" de vômito causados pela crescente concorrência em criar as ideias mais idiotas e estapafúrdias; é um concurso grotesco que parece não ter fim.

Em meio a toda essa merda, posam de oposição gente culta e refinada - a maioria nem vive por aqui - trazendo lamúrias que lembram as novelas mexicanas, feitas por encomenda para manter os esfarrapados sobre controle. E aí desfiam uma programação listando lado a lado problemas de gente branca e problemas de gente preta. Os primeiros são fictícios, é claro, e passam por elaborados meios de ajudar "quem passa fome", "quem não tem casa", " quem se fodeu nas mão da polícia", etc. 

Unidos em torno dessa miséria longínqua, eles se locupletam enquanto os famintos batem palmas e andam pelas ruas sem máscara, apostando na pequena possibilidade de contraírem uma doença que pode ser mortal, impelidos por um personagem que nem em nossos piores pesadelos, nem nas piores estórias de folhetim baratos, ousaria protagonizar qualquer cena decente que fosse. Uma horda de lixo humano norteada pela mais angustiante falta de empatia, controla a vida de milhões em um dos maiores países do mundo.

E esse mundo parece cada vez mais distante, tratando o assunto como se olhassem um bando de otários a destruírem a si próprios, sua casa, seu quintal, sua história.... Seu futuro. Só resta mesmo aquela de que às vezes uma maioria significa apenas que todos os idiotas estão do mesmo lado mas acho que ainda assim cabe a pergunta. De onde veio tanta gente escrota?

12/01/2021

Para ler, se ainda conseguir


Parece que sempre vou me achar um garoto vendo uma livraria pela primeira vez. Aquele cheiro de livro novo enchendo a cabeça e a imaginação voando para dentro das inúmeras capas, estranhas, criativas, medonhas, fantásticas... Foi assim que me senti, de novo, ao adentrar A Quinta Estação , de N. K. Jemisin.  Este é atualmente o meu livro titular, do qual fujo habitualmente para que não acabe e eu não tenha que lidar mais uma vez com aquela sensação de abandono e de que nunca mais vou achar algo tão legal assim para ler. Por que esse é meu livro titular? Não faço a menor ideia. Eles se ordenam a medida que chegam. O de cabeceira é O Livro do Juízo Final, quase um calhamaço, mas muito mais leve e utilizado para relaxar e dormir. E tem o livro da mochila. Ou do carro, já que não tenho mais andado por aí devido a pandemia. Geralmente esse é um volume menor, fácil de carregar, mas nem sempre foi assim. Tal posto já foi ocupado por um livro do Richard Dawkins... Mas hoje as páginas que sofrem o transporte precário e aguardam sua leitura nos mais variados locais é o nostálgico Neuromancer.  Digo nostálgico por que eu já deveria ter lido há muito tempo e até hoje não compreendo como não o fiz antes de ver os filmes do universo Matrix. Agora, você vai ter que ter um pouco de paciência com as gírias antigas e os termos técnicos da era DOS se também não leu.

Alguns diriam que a quarentena aumentaria o número de leitores e de livros lidos. Contudo, me encontro preso desde o começo do ano passado nessas três peças. Acho que não gosto de associar leitura a algo obrigatório, sem opção. Às vezes volto a procurar por algo "novo" no universo da ficção só para ver se me animo mas as coisas demoram uma eternidade a chegar por essas terras. Então me esforço e leio mais uma página. Ou duas.