23/05/2015

Uma longa jornada

Obi-Wan Kenobi/Alec Guinness
Parece que voltamos a viver na era dos super-heróis e dessa vez os filmes fazendo o papel das revistas em quadrinhos que acompanharam gerações. E ainda acompanham, só que de um jeito mais cult. Antes era visceral, não tinhamos nada além delas e valiam cada centavo que pudessemos economizar.
O fenômeno Vingadores tomou conta das grandes cidades espalhando uma febre que só faz aumentar desde que Tobey Maguire vestiu o uniforme do Spidey em 2002 e começamos a ter de volta aquela sensação de proximidade com a grande nação de personagens da Marvel. Claro que há mais de vinte anos Chris Reeve já havia nos levado pra dar umas voltas no inesquecível filme de 1978 – lembro de estar em uma fila enorme, em uma praça, quando ainda existiam cinemas fora de shoppings, e partilhar da expectativa das pessoas... Contudo era DC e entramos em um período de entressafra no qual seguiram-se inúmeras tentativas de levar as telas a galera dos gibis mas as produções eram um horror e acho que uma das poucas que alguém ainda se lembra é a do Hulk com Bill Bixby/Lou Ferrigno.
Tudo começou meio morno, em suspense, as esperanças depositadas em George Lucas e na câmera digital que desenvolvia com a Sony. Então aconteceram os computadores e chegamos aquele lugar mágico onde todos olham ao redor boquiabertos, maravilhados com poderes fantásticos, uniformes coloridos e piadinhas infames... Tudo é novidade para as crianças de hoje em dia mas não para um certo grupo de pessoas já não tão velozes nem sagazes que não chegaram mas sim voltaram. Elas caminham entre os mais novos e recebem muitas vezes o repúdio da sociedade “adulta e responsável”. Transformaram-se em velhos Obi-wan's esquecidos em alguma caverna de um planeta deserto em alguma galáxia muito, muito distante...

Só que agora que voltamos todos a viver juntos neste mundo incrível graças a tecnologia das Indústrias Stark não devemos esquecer de onde viemos (eita!) e quem nos trouxe até aqui: exatamente nós mesmos que guardamos essas maravilhas em nossa imaginação todos esses anos e resistimos apesar da falta de dinheiro, corrupção, ditadura, falta de emprego, salários miseráveis, programas de domingo, ônibus lotado, trem variado, criminalidade, axé music, americanos egocêntricos, europeus racistas, africanos selvagens, asiáticos loucos, latinos dançando salsa, brasília (a cidade e o carro), hospitais caindo aos pedaços, escolas caindo aos pedaços, tiririca, estradas caindo aos pedaços, pagodeiros paulistas, poder branco paulista, xuxa, seca no nordeste, dengue, churrasco na laje, a volta de programas de domingo, marombeiros, imprensa vendida, ronaldo gordo, mulheres-com-bundas-enormes-na-tv-o-que-não-é-ruim-mas-que-insistem-em-abrir-a-boca-também-pra-falar, burguesia da lagoa, fhc, lula, osama, obama, hosana, rosana(?), mestiços racistas, árabes suicidas, ben affleck,... e terminamos indagando: serão os fãs do super-homem cristãos fundamentalistas?