14/02/2013

Olhando sob as pedras


 Estive me atualizando a cerca dos debates entre cientistas e religiosos com relação as propostas existentes, principalmente nos EUA, para implementar o ensino do criacionismo nas escolas. É impossível falar sobre tal assunto sem mencionar ou citar Richard Dawkins, biólogo e grande expoente da frente de cientistas que em todo mundo promovem a divulgação do conhecimento acadêmico em todos os campos e lutam por uma civilização mais laica e racional, menos impregnada de misticismo e superstições.
O sítio de Dawkins publica grande quantidade de material que abrange diversas áreas científicas e é um point obrigatório para quem quer ficar por dentro do que esta rolando. Porém o destaque fica mesmo para a defesa intransigente da evolução natural, teoria que nos últimos anos tem sofrido ataques por parte dos defensores do chamado “design inteligente”. Basicamente esse conceito tem como argumento principal as chamadas “lacunas” encontradas nas descobertas científicas ou seja, se a ciência não explica então foi deus quem criou.
Em seu livro “Deus, um delírio” são refutadas de maneira clara e inteligente todas as tentativas, das mais estúpidas as mais elaboradas, de embasar explicações para a criação que descartem uma evolução gradual baseada na seleção natural e que venham a justificar a crença em um ser superior responsável pelo universo. O biólogo faz um passeio pelas maiores religiões e seus personagens principais, analisando com profundidade os chamados textos sagrados que fundamentam essas crenças, apontando de maneira contundente as incoerências e as fontes comuns que justificam ainda hoje preconceitos, torturas, terrorismo e atitudes totalmente fora das lógica e ética humanas.
Alguns conhecidos líderes religiosos criticam o que chamam de ideologia ateísta divulgadas por Dawkins, acusando-o inclusive de ser um fundamentalista. O YouTube está cheio de vídeos de pastores, padres, etc. defendendo o que chamam de “liberdade religiosa”. É estranho ver um cientista acusado de fanatismo. Mas mais estranho ainda é ler comentários, a maioria de jovens, enquadrando o biólogo como um “aiatolá” ocidental.
O que fica claro quando se presta atenção no que está sendo dito sobre o assunto é que o que está irritando mesmo os religiosos é o fim da idéia disseminada muito naturalmente de que “religião não se discute” e como se mostra cada vez mais ingenua a afirmação de que “não há mal nenhum frequentar a igreja”. Contudo o que mais estarrece é saber que todo esse clamor religioso não é exatamente contra o ateísmo - Dawkins defende, a priori, a teoria da evolução - mas sim algo bem mais sutil e elaborado: desacreditar a ciência junto as pessoas chamadas comuns.