Estive me atualizando a cerca dos debates entre cientistas e
religiosos com relação as propostas existentes, principalmente nos
EUA, para implementar o ensino do criacionismo nas escolas. É
impossível falar sobre tal assunto sem mencionar ou citar Richard
Dawkins,
biólogo e grande expoente da frente de cientistas que em todo mundo
promovem a divulgação do conhecimento acadêmico em todos os campos
e lutam por uma civilização mais laica e racional, menos impregnada
de misticismo e superstições.
O sítio
de
Dawkins
publica grande quantidade de material que abrange diversas áreas
científicas e é um point obrigatório para quem quer ficar
por dentro do que esta rolando. Porém o destaque fica mesmo para a
defesa intransigente da evolução natural, teoria que nos últimos
anos tem sofrido ataques por parte dos defensores do chamado “design
inteligente”. Basicamente esse conceito tem como argumento
principal as chamadas “lacunas” encontradas nas descobertas
científicas ou seja, se a ciência não explica então foi deus quem
criou.
Em seu livro “Deus,
um
delírio”
são refutadas de maneira clara e inteligente todas as tentativas,
das mais estúpidas as mais elaboradas, de embasar explicações para
a criação que descartem uma evolução gradual baseada na seleção
natural e que venham a justificar a crença em um ser superior
responsável pelo universo. O biólogo faz um passeio pelas maiores
religiões e seus personagens principais, analisando com profundidade
os chamados textos sagrados que fundamentam essas crenças, apontando
de maneira contundente as incoerências e as fontes comuns que
justificam ainda hoje preconceitos, torturas, terrorismo e atitudes
totalmente fora das lógica e ética humanas.
Alguns conhecidos líderes religiosos criticam o que chamam de
ideologia ateísta divulgadas por Dawkins, acusando-o inclusive de
ser um fundamentalista. O YouTube está cheio de vídeos de
pastores, padres, etc. defendendo o que chamam de “liberdade
religiosa”. É estranho ver um cientista acusado de fanatismo. Mas
mais estranho ainda é ler comentários, a maioria de jovens,
enquadrando o biólogo como um “aiatolá” ocidental.
O que fica claro quando se presta atenção no que está sendo dito
sobre o assunto é que o que está irritando mesmo os religiosos é o
fim da idéia disseminada muito naturalmente de que “religião não
se discute” e como se mostra cada vez mais ingenua a afirmação de
que “não há mal nenhum frequentar a igreja”. Contudo o que
mais estarrece é saber que todo esse clamor religioso não é exatamente contra o ateísmo - Dawkins
defende, a priori, a teoria da evolução - mas sim algo bem
mais sutil e elaborado: desacreditar a ciência junto as pessoas
chamadas comuns.