O Fim da Morte, Início da Decepção

  

 A conclusão da trilogia iniciada com o Problema dos Três Corpos foi uma decepção. Esperamos muito pelo terceiro livro e no final tivemos que acompanhar os gigantescos saltos imaginativos do autor, que mais pareciam surtos de fantasia tecendo uma estória cujos elos ficavam cada vez mais distantes um do outro.

     Não era difícil acompanhar personagens adormecendo durante séculos e acordando em perfeito estado para retomar suas tarefas inacabadas. Era chato. Simplesmente chato. Porque totalmente inverossímil pois quem adormecia não estava ligado a nenhum programa de acompanhamento e acordava em contextos totalmente diversos dos que havia deixado. Mas o incrível é que mantinham o prestígio e logo tinham acesso a recursos que a maioria da população não tinha.

    À teoria da floresta sombria somam-se outras interessantes como a navegação por ondas gravitacionais - lembram-se da dobra de Star Trek? E ainda tem o lance de universos em mais de três dimensões, complicado mas se tiver paciência de seguir o raciocínio exposto, é até plausível.

    O grande erro em minha humilde opinião foi tentar amarrar esse último volume da saga com uma personagem insípida e com uma sugestão de romance que nunca acontece mas a partir de um ponto parece centralizar toda a saga. Cixin deveria ter desenvolvido mais outros personagens e capitalizado alguns deles para guiarem a trama milenar.

    No fundo ficou parecendo um arremedo de Fundação mas sem fundação. No segundo volume - A Floresta Sombria - já dá pra notar essa tendência de expansão do contexto sem uma narrativa consolidada mas esse final extrapola e explode toda a obra. Seu único mérito é não tirar o valor do excelente O Problema dos Três Corpos.

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