O filósofo inglês Alan Watts (1915-1973) dizia: "Quando morrer, voltarei para o lugar onde estava antes de eu nascer". É claro que essa não é a resposta que a maioria de nós quer ouvir quando nos questionamos sobre o que é morrer mas o certo é que dificilmente, algum dia, alguém terá uma resposta diferente dessa. Eu disse resposta, não aposta.
De acordo com a crença de cada um temos um bolão milionário rodando pelo planeta. Volta inteiro? Não volta? Vira outra coisa? Passa a viver em outro lugar, em outro plano? Nada melhor que acirrar um pouco essa discussão no Dia de Finados. E olha que hoje em dia só lembram de uma coisa chamada Halloween, que acontece lá em riba, bem em riba. As crianças saem às ruas pedindo doce. Ora, isso aqui é Cosme e Damião.
Mas voltando aos mortos. Outro dia um amigo conversava que tinha um medo estúpido de ser cremado. Disse que se borrava ao pensar que poderia ser queimado vivo. Pensei comigo: É, realmente. Melhor ser enterrado vivo e sofrer em agonia durante horas. A indagação pressupõe um erro médico e outro pericial, no mínimo. Ressaltemos então que o maior temor é o que se tem da "passagem desta pra melhor".
Quando você dorme e não sonha você existe? Onde estava naquele período em que não viu nada, não percebeu nada, não especulou sobre nada? Parece como desligar uma tomada. Aquele sujeito chato que conversa dentro da sua cabeça não apareceu e então você se calou. Foi uma pausa.
Então vamos supor que ao morrer seja a mesma coisa. Dá nervoso? Claro. Isso só torna a vida ainda mais preciosa ao contrário daquela ideia idiota de sete virgens lhe esperando num harém ou uma casa com carro nas nuvens, repleta daquelas roupinhas anos cinquenta. Essas fugas são paliativos para a dor gerada pela nossa incompetência em resolver questões graves que assolam a humanidade como fome, violência, doenças, etc. Quem nunca sentiu desespero ao se deparar com uma situação na qual não tinha a menor influência, simplesmente fazendo o papel de vítima inerte?
Quando mais rápido se percebe isso mais a vida se torna atrativa, percebe-se melhor o que é realmente importante, deixa-se de lado aquelas coisinhas miúdas e mesquinhas que enchem o saco no dia a dia. Então viva, porra. Viva neste dia dos mortos.

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